Tabu
Luiz Morando lança hoje “Paraíso das Maravilhas”, sobre escândalo em 1946
Assassinato no parque municipal é tema de livro
Rodrigo Soares

Em setembro de 1946, um crime que aconteceu no parque municipal chocou os moradores de Belo Horizonte. A vítima - o paulista radicado em Minas Luiz Gonçalves Delgado - foi encontrada morta com 28 facadas em uma região do parque conhecida como "paraíso das maravilhas", local freqüentado por homossexuais em busca de sexo.

Durante as investigações, o nome do poeta Décio Frota Escobar surgiu como o principal suspeito, acusado por sua própria esposa como autor do homicídio. Entretanto, quando o caso foi para júri popular, Escobar foi absolvido e o crime nunca foi solucionado. Passados 62 anos, a história de Delgado é o mote do livro "Paraíso das Maravilhas", escrito pelo doutor em literatura Luiz Morando, que será lançado hoje na cidade.

"Já conhecia essa história de ouvir falar, pois sempre foi muito comentada, mas comecei a pesquisa quando, em 2004, meu colega (jornalista e escritor) Humberto Werneck me passou um relatório cronológico que uma repórter havia feito, detalhando todo o caso. A partir daí me interessei por contar a história e fui reunindo material e aprofundando a pesquisa sobre o homicídio, que reúne elementos homoeróticos e de crime passional", afirma o autor, que reforça essa teoria com o depoimento da esposa de Escobar.

"Ela acusou o marido afirmando que ele tinha assumido manter relações sexuais com Delgado. Mesmo que nunca tenha sido provado, isso repercutiu muito naquela época, quando falar sobre relacionamentos homossexuais era tabu."

Relevância. Para o autor, o tema do livro é pertinente para o atual momento, em que se discute a criminalização da homofobia e a aceitação da diversidade sexual. "Embora vários indícios levem a crer que esta história foi um crime passional, acredito que a obra toque em um tema importante, que é a violência que o homossexual sempre sofreu."

Publicado em: 20/09/2008
Jornal O Tempo