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Lições
de casa: discursos pedagógicos destinados à família
no Brasil
Ana Maria Bandeira
de Mello Magaldi
No alvorecer da República, parte da intelectualidade brasileira se empenhou na formação de uma consciência nacional e em superar o “atraso” representado pelas instituições monárquicas. Um dos inimigos da nova ordem política era o analfabetismo. Por isso a educação foi elevada ao patamar de redentora da sociedade e da nação em processo de modernização. E a maneira mais eficaz de alcançar os objetivos pretendidos era articular os discursos e as práticas educacionais ao ambiente doméstico. Vista como a “célula” da sociedade, a família era o meio privilegiado para moldar atitudes e valores individuais que extrapolavam os limites da educação escolar – os estabelecimentos de ensino eram poucos no início da República. Por isso, nos manuais escritos por Júlia Lopes de Almeida, como o livro das Donas e Donzelas (1906), as mulheres – “educadoras dos filhos e da família” – assumiram o papel de protagonistas na formação dos futuros cidadãos. Esposa e mãe, a professora usou sua experiência não só para aconselhar as mulheres, mas também para lhes dar ferramentas didáticas. Sucesso até a década de 1920, os manuais de D. Júlia foram lidos por Cecília Meireles e Amanda Álvaro Alberto, que atuaram no contexto em que a educação ganhou pela primeira vez lugar de destaque na agenda política nacional, durante a Era Vargas. Com a implantação do modelo da “Escola Nova”, pretendia-se renovar os parâmetros educacionais e assim construir uma nação organizada e forte. Este discurso não é de todo ultrapassado. Por isso, o livro permite a reflexão sobre a apropriação política da educação e as políticas educacionais. Fabiano Vilaça
Publicado
Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 3 | No. 30 | Março
de 2008
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