Mauro Condé analisa Wittgenstein


Marcelo Fiuza

Fruto de Tese de Doutorado em filosofia defendida em 2001 na UFMG, o livro As Teias da Razão: Wittgentein e a crise da racionalidade moderna, de Mauro Condé, será autografado pelo pesquisador na manhã de hoje, na livraria ouvidor da Savassi. A partir da leitura crítica de dois textos do autor austríaco, Tractatus Logico-Philosophicus (1921) e Investigações Filosóficas (1953), Condé analisa os questionamentos de Wittgenstein  (1889-1951) sobre os conceitos de razão e modernidade.

"Concluo que Wittgentein é um dos maiores pensadores do século e que não é apenas um filósofo da linguagem, mas um crítico da cultura, das práticas sociais. Ele não pensa a linguagem apenas em seus aspectos técnicos, mas no seu sentido mais amplo", afirma o escritor Mauro Lúcio Leitão Condé, 40, professor de filosofia da Fafich, na UFMG.

"É uma tentativa de fazer uma interpretação diferente do filósofo que é tradicionalmente considerado um autor relativista. A obra de Wittgenstein tem duas fases. Na primeira, até os anos 20, a filosofia dele expressa uma concepção essencialista da linguagem. Entende que a linguagem tem o poder de descrever o mundo, pois está na essência das coisas. Na segunda fase, elaborada a partir dos anos 30, não é bem assim. Ele conclui que a linguagem interage com o mundo, é um processo, ou seja, em mundos diferentes temos visões e interação diferentes", explica o professor.

Condé parte em seu livro da premissa que a obra do pensador austríaco não foi devidamente interpretada. "Mostro que Wittgenstein não é propriamente um autor relativista. A obra dele nos ajuda a desconstruir a idéia de essências e verdades absolutas e nesse ponto concordo com as leituras tradicionais, mas concluo que a filosofia dele vai além disso", informa o autor de Wittgenstein: Linguagem e Mundo (Ed. Annablume, 1998) e organizador de - com Betânia Figueiredo - Ciência, História e Teoria (Ed. Argvmentvm, 2005). Valoriza-se muito a obra de Wittgenstein, mas as pessoas não sabem porquê. É um pensador pouco explorado no que diz respeito às práticas cotidianas. Diz muito sobre a nossa visão de mundo e não percebemos isso."
   

Jornal O Tempo, Caderno Magazine, 2/4/2005